14
jun
2010
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Arte na rua, paz em casa
Postado por Instituto Avon em Geral
A grafiteira Panmela Castro, do Rio de Janeiro, sabe bem o que significa violência doméstica. Depois de presenciar a experiência da mãe, viveu situações semelhantes em seu casamento. Como havia estudado Belas Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e feito alguns trabalhos nos muros da cidade maravilhosa, usou a street art para superar o fim de relacionamento. “Comecei a refletir sobre como usar o grafiti para trabalhar o diálogo com os jovens de escolas públicas com o projeto Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha”, conta Panmela. Essa iniciativa foi desenvolvida em 2008 a convite de uma ONG da Baixada Fluminense, chamada Comcausa. O projeto repercutiu tão bem que colocou a lei em pauta na imprensa, disseminando informação e incentivando o protagonismo da mulher no grafiti.
Conheça um pouco mais sobre a vida e arte de Panmela Castro.
Instituto Avon – Como você começou a grafitar?
Panmela Castro – Desde criança, sempre fui incentivada pela minha família a pintar. Então, comecei a estudar desenho e aos 17 anos já estava na escola de Belas Artes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Minha educação foi muito rígida. O espaço público era considerado inapropriado para uma adolescente como eu. Mas após conquistar minha liberdade entrando na faculdade, comecei a conhecer e gostar de frequentar as ruas. Assim, vi a primeira geração de grafiteiros cariocas surgir. Como acabei me casando cedo, e me tornando uma “dona de casa”, não pude realizar meu desejo de grafitar. Depois da separação, vi no grafiti uma ferramenta para superar aquele momento difícil. Hoje, priorizo minha carreira como artista e meu trabalho político em prol das mulheres. Consigo perceber o meu direito de ser feliz na minha vida pessoal sem que seja necessário abandonar minhas necessidades profissionais.
Instituto Avon – Por que escolheu o tema violência doméstica para sua arte?
Panmela Castro – Resolvi me separar depois que meu ex-companheiro me agrediu. Por incentivo da minha mãe – que teve a mesma experiência no passado, assim como todas as outras mulheres da minha família – fui até a delegacia prestar queixa. Naquele momento não existia a Lei Maria da Penha e nada aconteceu. Lembro de sentir como se todos confabulassem para que eu realmente acreditasse que era papel da mulher aceitar aquelas situações humilhantes. Quando comecei a grafitar, conheci uma menina mais velha chamada Prima Dona que era do movimento de mulheres. Foi a partir do conhecimento que ela me passou que pude perceber que como mulher eu possuía uma série de direitos que eram arrancados de mim todos os dias. Então, continuei o trabalho dela para que mais meninas pudessem entender e multiplicar seus direitos também. Com o surgimento da Lei Maria da Penha, muita coisa mudou. Por isso, achei importante que as informações sobre a lei fossem multiplicadas o mais rápido possível. Daí surgiu a oportunidade do projeto “Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha”, em 2008.
IA – Como você mobiliza e sensibiliza as pessoas para a questão da violência doméstica contra a mulher?
PC – A ideia é usar o grafiti como forma de diálogo com as mulheres nas comunidades. Leis e todas as demais burocracias são realidades distantes daquelas jovens. Isso acaba tornando o tema desinteressante e pouco atrativo. O grafiti, por ser uma arte pública que toca todas as pessoas sem distinção de raça, gênero ou classe social, é uma linguagem que faz parte do cotidiano da comunidade. Assim, capacitamos artistas urbanas em violência doméstica, com o apoio de uma especialista na lei. Visitamos comunidades convidando as mulheres para uma oficina de grafiti sobre a Lei Maria da Penha. Montamos os grupos e trabalhamos com a arte e a lei. Em um segundo momento, as meninas que participam da capacitação produzem um grande mural dentro da comunidade, fazendo com que os direitos das mulheres e a lei Maria da Penha continuem sendo passados a cada vez mais pessoas dentro da comunidade.
IA – Você participou do evento que a Vital Voices e a Avon promoveram em Washington, no mês de março. Por que recebeu o convite?
PC – Por indicação de uma pessoa que conhecia meu trabalho no Rio de Janeiro, a coordenadora responsável pelos países da América Latina da Vital Voices, Eugênia Pondesta, fez uma visita ao meu grupo. Alguns meses depois, Eugênia entrou em contato dizendo que a Vital Voices iria me homenagear com um prêmio anual na categoria de direitos humanos. Então, como parte das atividades da semana em Washington para o prêmio, fui convidada pela primeira vez para participar do evento da Avon. Acabei conhecendo melhor o importantíssimo trabalho desenvolvido pela Avon Foundation e pelo Instituto Avon.
IA – Que resultados você vê com o seu trabalho?
PC – Percebo que hoje temos artistas mais respeitadas e ativas na cena urbana, com conteúdo artístico e conceitual de alta qualidade. Um de nossos objetivos é fortalecer e estimular a produção dessas artistas criando referências e mulheres fortes com voz ativa na sociedade.
Outro ponto é que nós somos grafiteiras “nômades”, ou seja, trabalhamos visitando locais diversos, multiplicando os direitos das mulheres e formando promotoras destes direitos nas comunidades. E apesar de recebermos muito reconhecimento por este trabalho, não conseguíamos calcular, administrar e incentivar esta incrível quantidade de mulheres que capacitamos em nossas ações. Este ano, desenvolvi uma forma de continuar o trabalho com estas mulheres já capacitadas criando uma rede virtual, a Rede Nami, que funcionará como grande fonte de intercâmbio e informação para que essas meninas continuem em contato e aprendam cada vez mais sobre artes, educação e direitos.






Muito importante iniciativas como essa que mostram que a lei maria da penha sai do papel, atraves da tomada de consciencia das mulheres, sendo vitima ou naõ, a dor de Maria da Penha e de todas, podia ser eu ou voce, a questão é nossa, basta ser mulher.
por gizeli de mello em jun 15, 2010 - 21:17 hs
A lei Maria da Penha ja avançou bastante, mais ainda é pouco pra carencia que existe na violencia contra as mulheres.Ainda há muito a se fazer. Helena
por Maria Helena Bispo em jul 18, 2010 - 20:10 hs
interessante
por Fernando S8 em ago 20, 2010 - 16:46 hs
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por mjizzlemoney em jan 2, 2011 - 15:43 hs
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